Executivos de empresas da Interconexão Elétrica do Cone Sul da África visitam o Cepel

15/12/2014

 

No dia 26 de novembro, o Cepel recebeu a visita de uma delegação do Southern African Power Pool (SAPP), acompanhada por representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Eletrobras. A visita fez parte da programação da comitiva, que veio ao Brasil para conhecer melhor como funciona a governança do setor elétrico do país, sua estrutura e os fatores que influenciam na tomada de decisão de investimentos. Os membros do SAPP foram recepcionados pelo diretor-geral do Cepel, Albert Melo, pelo diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Roberto Caldas, e pelo assistente da Diretoria Geral, Nelson Martins.

 

Fundado em 1995, o SAPP é um grupo de cooperação das empresas nacionais de eletricidade do sul da África. Os membros do SAPP criaram uma rede elétrica comum entre seus países-membros e um mercado comum de energia elétrica na região da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África (SADC, do inglês South African Development Community).

 

O SAPP reúne empresas da África do Sul, República Democrática do Congo, Moçambique, Tanzânia, Zâmbia, Angola, Zimbabwe, Botswana, Naníbia, Malawi, Lesotho e Suazilândia. Dentre os principais objetivos do grupo, podem-se citar: aumentar o acesso de energia elétrica em comunidades rurais, priorizar o desenvolvimento sustentável, e coordenar o planejamento da expansão, operação, regulação e mercado desta interligação elétrica multipaíses.

 

A delegação, composta por 23 integrantes, ficará no Brasil até o próximo dia 29.

 

Visita ao Cepel

 

Após dar as boas-vindas aos integrantes da comitiva, o diretor-geral do Cepel, Albert Melo, discorreu sobre as contribuições do Centro para o desenvolvimento sustentável do setor elétrico brasileiro. Melo fez um breve histórico da instituição e abordou desde a complexidade e estruturação do setor elétrico nacional, o papel dos agentes reguladores, a livre concorrência e a intermediação da compra de energia por meio de leilões, até a participação das fontes renováveis na matriz elétrica do país e o apoio técnico-científico prestado pelo Centro, não só às empresas Eletrobras e ao MME, mas ao setor como um todo.

 

Dentre outros temas, ressaltou que, embora o conceito de sustentabilidade se baseie em três pilares – social, econômico e ambiental –, para atingi-lo é necessário acrescentar um quarto: uma política de mercado adequada. No caso do setor elétrico brasileiro, esta política envolve várias etapas de planejamento, bem como a sinergia entre os órgãos governamentais e os demais agentes envolvidos em sua formulação e execução.

 

Neste contexto, mencionou a cadeia de metodologias e programas computacionais desenvolvida pelo Cepel para o planejamento da expansão e operação da geração. Integrando horizontes de longo, médio e curto prazos, esta cadeia contribui para a definição de planos coordenados de expansão e operação do sistema elétrico e para a diversificação da matriz energética brasileira. Coordenação esta considerada fundamental para o processo de produção e comercialização do sistema.

 

De acordo com Melo, os principais estágios para o desenvolvimento e aproveitamento de uma tecnologia compreendem a avaliação dos recursos, inventário destes recursos, a fase de projetos, e, finalmente, a operação. ”Seja qual for a tecnologia, os estudos de inventário desempenham papel fundamental”, ressaltou. No caso brasileiro, citou a hidroeletricidade, base da matriz elétrica, e o Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas, de cuja revisão técnica o Cepel participou. O manual, reconhecido pela Agência Internacional de Energia Elétrica (AIE) como o mais atualizado do mundo, serve de subsídio para a formulação e implementação de políticas para o setor energético, sob responsabilidade do MME.

 

Infraestrutura laboratorial e soluções tecnológicas a serviço do setor

 

Dando sequência às apresentações, o assistente da Diretoria de Laboratórios e Pesquisa Experimental, João Barros, fez uma breve explanação sobre a infraestrutura laboratorial do Centro, voltada à pesquisa experimental, serviços de ensaios, medição e calibração em alta tensão, alta potência, dentre outros. Na oportunidade, ressaltou que o Laboratório de Ultra-Alta Tensão Externo do Cepel, único do gênero no Hemisfério Sul, encontra-se em fase final de implantação. Seu objetivo será apoiar o desenvolvimento e a avaliação do desempenho de soluções comerciais de novas configurações de linhas de transmissão com níveis de tensão de até 1.200 kV  em Corrente Alternada (CA) e de ±800 kV  em Corrente Contínua (CC).

 

Em seguida, os gerentes das áreas de atuação do Cepel apresentaram alguns dos seus principais projetos e desenvolvimentos.

 

Flávio Alves, gerente da Área de Redes Elétricas, expôs a cadeia de programas computacionais para operação e planejamento da expansão de sistemas de elétricos de potência, que tem como usuários  as empresas Eletrobras, o Ministério de Minas e Energia (MME),  o  Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE),  agentes de geração, transmissão e distribuição, consultoras e universidades.  Mencionou, ainda, a realização do ciclo anual de cursos sobre os programas desenvolvidos na área.

 

Em sua apresentação, Ricardo Ross, gerente da Área de Distribuição, abordou o projeto de Redes Elétricas Inteligentes de Parintins –realizado pela Eletrobras, com o apoio do Cepel;  o desenvolvimento do protótipo do Transformador de Corrente Automonitorado; o projeto de Planejamento da Distribuição para as empresas de distribuição da Eletrobras, citando suas dimensões técnicas e regulatórias; o  desenvolvimento do protótipo de analisador de qualidade de energia para aerogeradores;  as linhas gerais do novo Laboratório de Medição Fasorial (PMUs); algumas das atividades previstas no futuro Laboratório de Redes Elétricas Inteligentes, dentre outros tópicos.

 

O pesquisador Ricardo Wesley, representando o gerente da Área de Linhas e Estações, Alain Levy, destacou a realização de atividades relacionadas ao desenvolvimento de ferramentas computacionais, técnicas e metodologias, através de pesquisas teórico-experimentais, voltadas ao aprimoramento de projeto, construção, operação e manutenção de linhas aéreas de transmissão, bem como ao monitoramento e diagnóstico de equipamentos de subestações e de usinas de geração de energia. Como exemplos, ressaltou a tecnologia LPNE (Linha de Potência Natural Elevada), os projetos ELEKTRA (Dimensionamento, Custeio e Otimização de Lts), DianE (Sistema Integrado de Análise e Diagnóstico de Equipamentos)  e  SOMA (Sistema Orientado ao Monitoramento de Ativos de Engenharia), e as atividades do  Laboratório de Diagnóstico de Equipamentos Elétricos (Labdig), tornando o Cepel referência nessas atividades junto às empresas do setor.

 

Ary Vaz, gerente da Área de Tecnologias Especiais, explicou as quatro vertentes de atuação do departamento: Eficiência Energética, Energias Renováveis, Metalurgia e Materiais, e Geração Distribuída. Ressaltou a atuação do Cepel no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e sua importância contra o desperdício de energia. Vaz também convidou os visitantes a conhecerem o trabalho do Cresesb (Centro de Referência para as Energias Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito) em energias solar e eólica no site do centro de referência, que, em breve, terá uma versão em inglês.

 

Já Maria Elvira Maceira, gerente da Área de Otimização Energética e Meio Ambiente, apresentou as linhas de pesquisa desenvolvidas pelo departamento – Meio Ambiente; Planejamento da Expansão da Geração; Planejamento e Programação da Operação; Hidrologia Estocástica, Recursos Hídricos e Eólicos; Análise Financeira de Projetos e Técnicas Computacionais – bem como os principais projetos em desenvolvimento em cada uma das linhas de pesquisa.

 

Encerrando a visita, o gerente da Área de Operação e Automação de Sistemas, Raul Sollero, fez uma apresentação, no Laboratório Avançado de Supervisão e Controle (Lasc), na qual enfatizou as tecnologias já desenvolvidas e em desenvolvimento no Cepel para suporte à operação em tempo real de sistemas elétricos de potência. Abordou, também, o papel do SAGE (Sistema Aberto de Gerenciamento) na estrutura de operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), em particular do projeto REGER (Rede de Gerenciamento de Energia), novo sistema de supervisão e controle do ONS, desenvolvido e implementado pelo consórcio Cepel-Siemens.